A cultura de um povo é construída histórica e socialmente, com base no tempo em que vivem. No entanto, quando falamos de cultura digital, além de pensar nas tecnologias já desenvolvidas e amplamente utilizadas, estamos falando também de uma mudança profunda no modo de aprender, de se relacionar, de viver no mundo de hoje.
O momento atual que vivemos, de uma pandemia causada pelo Covid-19, mostrou claramente que todas as tecnologias disponíveis podem e devem ser utilizadas em favor da aprendizagem. Hoje, temos aulas e eventos sociais de forma remota. Vejamos minha própria experiência, de quem iniciou o primeiro período de Pedagogia e foi pega de surpresa na primeira semana de aula por uma série de restrições devido a pandemia. Não tive tempo hábil de me conectar com a turma, no sentido de criar laços. Mas a mudança na forma de aprender e todos os obstáculos advindos desse período, fizeram com que a turma tivesse uma união única. Isso me levou a refletir: será que teríamos essa mesma interação se estivéssemos com aulas presenciais? Ou ficaríamos cada qual no seu grupo de identificação? Não há como saber.
Quando analiso a realidade das nossas escolas, a discrepância é enorme. Muitas escolas não tem estrutura adequada para manter as aulas de forma remota, outras, em geral as abastadas, rapidamente adaptaram-se a nova realidade. Essa nova rotina, de uso dos meios digitais para garantir a aprendizagem, é algo que já vinha sendo utilizado, mas não de forma tão intensa quanto hoje. Ao voltarmos para o modo presencial, o momento atual vai deixar muitos impactos. Não dá para considerar voltar as aulas da forma como eram antes. Os alunos, que já lidavam facilmente com as tecnologias, ficaram mais ligados a ela. A escola deve encontrar formas de fazer as tecnologias serem aliadas no processo de aprendizagem. Isto pode ser feito com o uso de aplicativos, de plataformas, da forma como tem sido feito hoje.
Assim sendo, a cultura digital é inerente a nossa cultura social, faz parte do que somos, de como vivemos, nos relacionamos e aprendemos. A escola então não pode ficar alheia a esta realidade, pois faz parte dela também, não pode negá-la.
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